Pagar só o mínimo da fatura parece uma solução no momento de aperto, mas é a porta de entrada pro rotativo, uma das linhas de crédito mais caras que existem no Brasil. Mesmo depois de uma lei que colocou um teto nos encargos, o rotativo continua sendo o motivo pelo qual uma dívida pequena vira uma bola de neve em poucos meses.
Quando a fatura vence e você paga menos do que o valor total (geralmente algo perto do pagamento mínimo, em torno de 15% do saldo), a diferença não some: ela entra no rotativo. A partir do dia seguinte ao vencimento, esse saldo passa a ser corrigido por juros, que estão entre os mais altos do mercado de crédito para pessoa física.
Diferente de uma parcela combinada com data certa pra acabar, o rotativo cresce sozinho enquanto não for quitado. Cada mês que passa, o juro incide sobre um valor maior, incluindo o juro do mês anterior.
Desde janeiro de 2024, a Lei 14.690/2023 estabeleceu uma regra específica pro rotativo e pro parcelamento automático da fatura: os encargos totais de uma dívida contraída a partir dessa data não podem ultrapassar 100% do valor original. Na prática, uma fatura de R$ 500 que virou dívida nunca pode chegar a mais de R$ 1.000 de juros e encargos somados, por mais tempo que fique em aberto.
A mesma regra também limita o tempo que o saldo pode ficar rolando só no rotativo: ele só pode ser cobrado por até um mês. Se a dívida não for quitada até a fatura seguinte, o banco é obrigado a oferecer o parcelamento do saldo, sem poder repetir o rotativo por dois meses seguidos.
| Antes da regra (até 2023) | Depois da regra (a partir de jan/2024) | |
|---|---|---|
| Limite dos encargos | Sem limite definido em lei | Até 100% do valor original da dívida |
| Tempo permitido no rotativo | Podia rolar por meses seguidos | Só 1 mês, depois o banco deve parcelar |
Mesmo com essas regras, a taxa de juros do rotativo segue entre as mais altas do país. Segundo dados do Banco Central, a taxa média ficou na faixa de 350% a 450% ao ano ao longo de 2026, variando de mês a mês. A regra evita que a dívida cresça sem limite, mas não torna o crédito barato: o rotativo continua sendo caro enquanto durar.
Os dois são frequentemente confundidos, mas funcionam de formas diferentes. O cheque especial cobre um saldo negativo na conta corrente assim que ele acontece, com um teto de 8% ao mês. O rotativo do cartão só é acionado quando a fatura não é paga por completo, e apesar do teto de 100% do valor da dívida, a taxa mensal praticada tende a ser ainda mais alta que a do cheque especial. Se você quer entender o cheque especial em detalhe, vale ler o artigo sobre ele.
Com a fatura do cartão lançada no Grana Azul, você acompanha se vai sobrar pra pagar tudo antes do vencimento, e consegue decidir com antecedência em vez de descobrir o rotativo só quando ele já apareceu.
Testar 7 dias grátisO rotativo não desaparece sozinho, mesmo com o teto legal reduzindo o estrago máximo. Quanto antes o saldo for tratado como prioridade, menor o total pago em juros até o fim, e menor a chance de ele voltar a se formar no mês seguinte.